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Homenagem às mães

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMÃE EM PROSA E VERSO
(Uma homenagem à minha mãe, D. Helena, mulher de fibra e oração. Mesmo sem recursos nunca desistiu do sonho de educar e formar seus filhos. Obrigado, mãe).

Celebrar um este dia em prosa e verso,
Eu que nem poeta sou.
Sou filho de lavrador,
Criado e sustentado a custo de muita dor.Como falar de mãe com melodia, canto e rima?
Cantar, Ah! Quem me dera!
Com a voz rouca e fanha que tenho,
Não há canto que possa entoar.

E rima, como fazê-la?
É só olhar a palavra em que o verso vai terminar,
“A” com “a”, “o” com “o”, “ô” com “ô”,
É… mas, o que combina com mãe?
Mamãe… mãeê… muito pobre…

Feliz foi Coelho Neto
Que, ao pensar em sua mãe,
Com versos simples e suaves
Conceituou SER MÃE

Ser mãe é desdobrar fibra por fibra 
o coração! Ser mãe é ter no alheio 
lábio que suga, o pedestal do seio,
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra.

Ser mãe é ser um anjo que se libra 
sobre um berço dormindo!  É ser anseio, 
é ser temeridade, é ser receio, 
é ser força que os males equilibra!
 
Todo o bem que a mãe goza é bem do filho, 
espelho em que se mira afortunada, 
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho!

Ser mãe é andar chorando num sorriso!  
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada! 
Ser mãe é padecer num paraíso!

Cora Coralina, a poetisa
Buscou em sua visão de mãe
Aquilo que é mais sublime, a criação
Lembrou o que diz a Palavra:
“Eis que os filhos são herança da parte do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão” (Sl 127:3)
E foi assim que poetizou sobre a Mãe

Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.

Parece que Cora Coralina leu Isaías, o profeta
Que pensando na mãe que amamenta perguntou:
“Pode a mãe esquecer-se do filho que amamenta”? Impossível!
Por mais que quisesse os seios enchem, doem…reclamam,
Mesmo que não reclamassem, seus ouvidos iriam escutar
Alguém gemendo, chorando, pedindo mamar

E não há ouvido materno que ouvindo o choro de seu filho, não se desperte.
O coração pulsa, o sono esvai-se
Os pés levantam o corpo
E as mãos se movem para acudir.
Sempre foram assim as mãos de minha mãe (Jorge César Mota)

As mãos de minha mãe…Quanta bondade,
Carinho, amor, delicadeza pura
Me lembram, nessa doce formosura
Dos traços venerandos, sem vaidade!
 
Oh! Quem me dera apenas a metade
Gozar dos dons da vida e da ventura
Que elas suplicam, cheias de ternura
E incansáveis, ao Deus da Eternidade.
 
Ó minha mãe! Eu sei que as tuas magras
E envelhecidas mãos assim ficaram
Porque tiveste, sim, tuas horas agras.
 
Quantas vezes teus olhos enxugaram
Essas mãos que ainda agora nos consagras!…
Se mais sofreram, foi que mais amaram!…

Amar é a razão maior de toda mãe,
Como aquela que veio a Salomão
Depois de ter o filho roubado
Por aquela que sobre o seu deitara.

Diante do rei e para não ver a morte do filho
Abre mão, entrega-o à mentirosa.
O sábio rei percebe a manobra,
E o filho entrega à mãe venturosa.

Para a mãe é assim: amor traduz-se como sofrimento.
Lembra do sacrifício para que a filha estude?

Para eu galgar a montanha,
Oh! que renúncia tamanha
Foi a tua, mãe querida!
Preferiste, quantas vezes,
O despreza, a insensatez,
Para ver-me enaltecida.
 
Pois em casa, maltrapilha,
Tu, beijando tua filha,
Sim, não podias sair…
Gastaste todo o dinheiro!
E o meu traje? Era o primeiro,
Belo, caro, a reluzir!…
Como esquecer a poesia,
Ó mamãe, daquele dia,
Na festa de formatura?
Por que negar? Fui chorando,
Meu caminho palmilhando,
Todo cheio de amargura.
 
A pobreza te rodeava…
Tu te fazias de escrava,
Humílima, a trabalhar…
Qual a mãe de Miguel Couto.
Com o vestido tão roto,
Lindas vestes a lavar,
 
Assim te mostras princesa,
Do teu amor a grandeza,
Que sobe às raias da glória.
Alcançando o magistério,
Farei dele o meu saltério,
Para louvar a tua história!

Portanto,
“Filho meu, ouve a instrução de teu pai, e não deixes o ensino de tua mãe”,
Diz o livro de Provérbios.
Filho, Filha, vai à tua mãe Antes que seja tarde.
Abre a ela teu coração.
Fala do teu amor, da tua gratidão…(Florilégio, p. 101)

Gilvan Barbosa

Obs: Mensagem pregada em um dia das mães. Poesias variadas e as não identificadas são do livro “Florilégio cristão”, de Rosalee Appleby

 

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