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MISSÕES, HISTÓRIAS QUE INSPIRAM E DESAFIAM

Jesus Transforma 2013

A obra missionária é inspiradora. Tão motivadora que Paulo se dizia devedor a gregos, a bárbaros, a sábios e a ignorantes, e se sentia motivado a levar o evangelho a Roma (Rm 1.14,15). Nestes dias de intensa atividade missionária foi isto que senti: uma tremenda motivação para levar o evangelho aos mais remotos lugares. Tudo por conta de histórias que vi e ouvi, histórias que inspiram e desafiam.  

Uma destas histórias foi a daquela irmã que, não podendo ir como voluntária da TRANS, me procurou dizendo que não tinha condições de participar desta vez, mas que queria dar uma oferta para ajudar. Quando abri o envelope, conhecendo sua situação financeira, percebi que ela estava dando, não uma oferta qualquer, mas uma oferta de amor e sacrifício. No final da TRANS, quando oferecemos um churrasco a um grupo de voluntários, lá estava ela na cozinha: “pastor, não pude participar do início, mas aqui estou para participar do final”.

E o que dizer da irmã Anália Gomes? Setenta e um anos, transplantada de rim, saiu de São Paulo para participar de um projeto missionário em São Félix do Piauí. Logo nos primeiros dias, ao sair de uma casa, após partilhar o evangelho com a família, tropeçou, caiu e quebrou o fêmur. Foi uma semana peregrinando nos hospitais de Teresina até ser operada. Três dias foram em cima de uma maca, no corredor do Hospital de Urgência. A irmã Anália nunca se deu por vencida. Deixou de falar de Cristo no sertão e passou a fazê-lo nos corredores e enfermarias, quando alguém se aproximava de seu leito. Seu canto ecoou pelos hospitais e abençoou vidas.

Quatro de nossos adolescentes foram à TRANS, levados pelos pais para ficar um dia. Eles ficaram as duas semanas! Celebram no culto da vitória e depois pediram para voltar ao campo missionário para discipular os novos convertidos. Sem nenhuma experiência anterior em operação missionária eles testemunharam, realizaram estudos bíblicos, cuidaram de novos convertidos, dedicaram todo o período de férias à obra missionária.

Também teve aquele procurador federal, servo de Deus, que este ano decidiu com os filhos substituir as férias no exterior pelo sertão, para falar de Jesus. Férias diferentes! No lugar do conforto de um hotel de luxo, o chão de uma escola pública; no lugar de comida requintada, comida na fila feita por mãos simples de servas tementes e fiéis a Deus; no lugar de carro alugado, ou táxi, pés no chão poeirento do sertão. O que foi melhor? Vidas salvas, transformadas e transbordando de alegria!

Encontrei também aquela ex-famosa da televisão, que diferente daqueles que vivem testemunhando de igreja em igreja, de show gospel, em show gospel, elogiando seu passado, dizendo-se ex-isso, ex-aquilo, preferiu o silêncio sobre o passado, e ir para o sertão, de casa em casa, falar de quem é em Cristo. A aparência oculta pelas roupas, um óculos escuro e um boné. O desejo não é ser reconhecido, mas fazer conhecido o Cristo, que na cruz morreu e ressuscitou.

“E que mais direi? Pois me faltará tempo, se eu contar de…” jovens americanos que nunca haviam partilhado Jesus com alguém e saíram para fazê-lo no sertão piauiense, e retornaram impactados pelo poder do Senhor; capixabas, paulistas, baianos, cariocas… “os quais por meio da fé…praticaram a justiça…da fraqueza fizeram forças…” (Hb 11.32-34) e deixaram o Piauí impactado pelo evangelho, que “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16). ALELUIA!

Pr Gilvan Barbosa

UM ALERTA AOS PASTORES

8.847 mil: Esse é o número de pastores batistas atualmente filiados à OPBB (Ordem dos Pastores Batistas do Brasil). Se considerarmos todas as denominações evangélicas em nosso país, o número de pastores pode ultrapassar 200 mil. Além disso, outro número estratosférico chama a nossa atenção. O IBGE acusou, há alguns meses, o que já se esperava: somos quase 30 milhões de evangélicos espalhados pelo solo brasileiro. A despeito de tudo isso, fatos nos dão conta de que caminhamos para um colapso moral e religioso em nossa nação.

Os escândalos protagonizados por pastores evangélicos surgem com força e velocidade de enxurrada. Anos atrás, o programa “Fantástico” (da Rede Globo) pulverizou para todo o país a história do “pastor” que atuava em terras capixabas e que, para surpresa geral, alegava ter encontrado a base bíblica que legitimava sua relação poligâmica (Sim, ele jurava de “pés juntos” que a ordem havia sido dada pelo próprio Deus, e que, inclusive, estava claramente prescrita na Bíblia Sagrada, em Oséias 3.1. À época, o próprio repórter da Rede Globo, numa simples e adequada leitura bíblica, corrigiu a escandalosa interpretação). Apesar de ser um caso curiosíssimo, não pretendo explorá-lo. Também não desejo ressuscitar o caso do “pastor” e deputado candango que, após receber a abençoada propina, orou, com seus comparsas, agradecendo a Deus por aquela jubilosa “dádiva” alcançada.

 Mais recentemente, um intrigante (e já esperado!) caso alcançou notoriedade nacional. A acirrada disputada pelo “poder” levou ao “ringue” as mais “poderosas” e endinheiradas estrelas do atual movimento gospel do Brasil. Palavras ferinas, desmascaramento de técnicas de persuasão das multidões, exposição de patrimônios milionários, acusações infames, rogação de pragas e maldições foram apenas algumas das armas usadas pelos magnatas. Horas a fio têm sido gastas na caríssima TV aberta a fim de desprestigiar concorrentes e adversários religiosos. Nessa versão moderna de “guerra santa” as consequências têm sido catastróficas.

Estes são apenas alguns exemplos das desastrosas e aberrantes ações cometidas por alguns líderes evangélicos brasileiros. Como conseqüência imediata, visualizamos o desprestígio e a ridicularização do verdadeiro Evangelho no coração de milhões de pessoas Brasil afora. É possível imaginar a imensidão de incrédulos que, diante de tantos escândalos e absurdos, evitarão se aproximar do Deus que, supostamente, rege a vida de tais líderes.

E não para por aí. Outra conseqüência negativa é o desgaste da imagem pastoral. Atualmente, no Brasil, a designação “pastor” virou motivo de rejeição e chacota. Apresentar-se como pastor é correr o risco de ser automaticamente assimilado a mercenário, salafrário, 1.7.1, larápio, trapaceiro, guloso por dinheiro e a vários outros pejorativos da mesma espécie. Geralmente, quando explico a algum não-evangélico que sou pastor, preciso gastar um tempo explicando que não sou ladrão ou algo do gênero. A que triste ponto chegamos. Diante de um cenário tão conturbador como esse, proponho uma breve análise da aludida situação. Para nosso refrigério, apresento também o único antídoto capaz de exterminar esse mal. Vamos aos fatos.

Há mais de 300 anos o influente líder inglês Richard Baxter destacou que “Se Deus reformasse o ministério, fazendo cada um cumprir zelosa e fielmente os seus deveres, o povo certamente seria reformado…”. Eis uma grande verdade e necessidade: Cada pastor deve cumprir zelosa e fielmente sua tarefa, sua missão, do contrário, seu rebanho não mudará. Assim, remeto este apelo aos líderes que atuam em nosso Brasil. Sim, pois creio que somente com a graça e direção de Deus (e com a coragem e compromisso dos nossos líderes) é que poderemos reverter esse quadro tão alarmante.

Pastores devem entender que, biblicamente, sua responsabilidade prioritária é a pregação da Palavra de Deus (à qual se apõe, naturalmente, o apascento do rebanho). Talvez seja essa hoje uma das nossas maiores carências e deficiências. Percebe-se que é crescente o número de pastores que não priorizam o ensino e pregação da Palavra de Deus em suas igrejas. Como conseqüência inevitável vemos ovelhas cada vez mais desnutridas da saudável ração bíblica e que, por tal carência, empanturram-se com várias inutilidades que estão espalhadas por aí (sincretismo, misticismo, psicologismo, heresias e por aí vai…). Resultado: Raquitismo e baixa imunidade espiritual que as torna vulneráveis a tudo, até mesmo ao mais simples vento de doutrina.

A proclamação da Palavra deve ser prioridade máxima no Ministério Pastoral. Em Atos 2, os apóstolos tomaram uma decisão histórica e balizadora para as gerações seguintes: “Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a Palavra de Deus para servir às mesas… E, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra… Assim, crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos”. (At 6.2,4,7, RA). Não havia demérito algum em servir às mesas, mas aquela não era a prioridade dos seus ministérios. Não há impedimento algum a que o pastor se envolva diretamente em múltiplas ações eclesiásticas, mas somente deve fazê-lo após ter “se afadigado na Palavra e no ensino” e na oração (cf. I Tm 5.17 e At 6.2-7)

Nesse sentido, deve-se entender que proclamação bíblica pressupõe e exige preparação prévia. Devemos dar uma basta ao improviso e acomodação (e, às vezes, à embromação). De uma professora do Estado de São Paulo ouvi a seguinte pérola: “Quem quer se levantar para ensinar deve sentar para aprender”. Verdade simples e óbvia, mas evidentemente negligenciada hoje em dia.

Igual a essa foi a recomendação do Apóstolo Paulo ao explicar que uma das indispensáveis qualidades de um pastor seria a “… capacidade para ensinar” (I Tm 3.2, NTLH). Ao jovem pastor Timóteo motivou a que se dedicasse “… à leitura em público das Escrituras Sagradas, à pregação do evangelho e ao ensino cristão.” (ITm 4.13, NTLH). Afinal de contas, como pastor, ele deveria “manejar bem a Palavra da verdade” (II Tm 2.15). A pouca idade seria compensada caso Timóteo se tornasse exemplo para os fiéis na pregação e na prática da Palavra (ITm 4.12). Semelhantemente, a Tito recomendou que ensinasse as Escrituras de modo íntegro e reverente (Tt 2.7). Há uma enormidade de referências bíblicas que afirmam ser a missão primordial do pastor a pregação da Palavra (Ef 4.11-17; At 13.1-3; I Tm 3.1-7, dentre dezenas de outros).

Mas não é tão simples quanto parece. Expor mensagens e ensinos bíblicos é tarefa árdua, pois exige de quem o faz abnegada dedicação. O texto bíblico é mina riquíssima, mas o trabalho de garimpagem quase sempre é delicado, lento e manual. E embora seja capitaneado pelo Espírito Santo, deve ser feito cuidadosamente, com extrema atenção, responsabilidade e devoção. Do contrário, tesouros riquíssimos podem passar despercebidos e ficar para trás.

Numa época tão frenética como a que vivemos, gera constrangimento e insatisfação a ideia de pastores que se dedicam prioritariamente “à oração e à pregação da Palavra” (At 6.4). No imaginário popular, o pastor “bom” é o que se avoluma de funções e atividades e que vive com a agenda lotada de múltiplas ações. Dessa forma, centenas de ministérios pastorais assumem um perfil meramente técnico e funcional. Intermináveis atividades precisam ser realizadas e, desse modo, a indispensável missão de alimentar o rebanho com a Palavra vai ficando para segundo plano. Por conseguinte, pastores deixam de ser vistos como arautos de Deus e passam a ser vistos como pseudo-empresários e gerentes ou meros prestadores de serviços eclesiásticos. São pastores que, de acordo com o Rev. Hernandes Dias Lopes, erram grosseiramente ao trocar o “necessário pelo urgente”. Como lamenta a famosa expressão atribuída a Marcus Tullius Cicero, que viveu na Roma Antiga: “O tempora, o mores” (“que tempos os nossos, e que costumes!”).

Estou certo de que o atual cenário evangélico brasileiro somente poderá ser revertido se seguirmos as verdades bíblicas anteriormente apresentadas. Diante de tantos e tão graves escândalos, a resposta mais eficaz que podemos dar à nossa sociedade é uma vida e ministério dignos do Evangelho com o qual fomos alcançados e chamados (Ef 4.1; Fp 1.27). Ademais, sugiro que não nos inquietemos demasiadamente com os “inimigos da cruz de Cristo” (Fp 3.18), visto que eles em breve acertarão as contas com o próprio Senhor da Igreja. É só uma questão de tempo.

Finalmente, deixo aos colegas pastores deste “brasilzão” um apelo sincero: Jamais abramos mão da nossa responsabilidade de retransmitirmos integral e fielmente a Palavra de Deus. Afinal de contas, apenas “a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (II Tm 3.16,17, RA). O Apóstolo Paulo, na reta final da caminhada, fez um apelo ao jovem Pr. Timóteo. Apelo este que, pela Soberania divina, atravessou os séculos e chegou até nós. Que apelo foi esse? “PREGA A PALAVRA” (II Tm 4.2). Que, pela nobreza do pedido, e em honra ao nosso Deus e à nossa vocação, prontamente o atendamos. Amém!

Pr. Francisco Helder Sousa Cardoso

Pastor auxiliar na Igreja Batista Equatorial (Belém, Pará)

Presidente da Juventude Batista do Pará

fheldersc@yahoo.com.br

Fonte: http://franciscohelder.wordpress.com/2012/04/09/alerta-aos-pastores-3-2/

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