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VOLTA AO PRIMEIRO AMOR

Volta ao Primeiro Amor

É muito bom quando pertencemos a uma igreja doutrinariamente segura e sadia. Quando vemos os crentes abrindo as escrituras, estudando-as, refletindo sobre seus ensinos e pautando suas decisões e comportamentos naquilo que aprenderam da Palavra de Deus.  É agradável ser parte de uma igreja onde o pastor, em suas pregações, expõe o texto bíblico, contextualiza-o e aplica suas verdades à vida atual. Uma igreja assim não seguirá os modismos reinantes no meio evangélico, será, sim, como a primeira igreja cristã que perseverava na doutrina (At 2.42), ou como a igreja em Beréia, que é destacada como a que examinava as pregações de Paulo para ver se estavam de acordo com as escrituras (At 17.11). Ser firme na doutrina é importante para a vida da igreja, mas será que isto é suficiente para agradar a Deus?

Quando lemos a carta que o Senhor mandou que João escrevesse à igreja em Éfeso (Ap 2.1-8), percebemos ali uma igreja doutrinariamente segura. Aquela igreja, por amor aos ensinos do Senhor, não suportava os maus e colocava à prova os que se diziam apóstolos (Ap 2.2). Dois aspectos importantes da doutrina aqui são destacados: não ser conivente com o pecado, com a maldade e ainda testar os que apareciam dizendo-se portadores de uma mensagem divina. A segurança da igreja era tal, que colocava estes à prova, e os achava mentirosos. E ainda destaca a carta que esta igreja combatia o movimento de frouxidão doutrinária denominado “nicolaítas”. Esta igreja sabia o que cria. Por conta de sua firmeza na Palavra sofria, mas não desfalecia, não desanimava (Ap 2.3).

Apesar de toda a segurança doutrinária da igreja em Éfeso, do seu sofrimento por amor aos ensinos do Senhor, do combate ao pecado e às heresias reinantes na cidade, o Senhor pediu que João escrevesse que só isto não era suficiente para agradá-lo: “tenho, porém, contra ti que abandonaste o primeiro amor” (Ap 2.4). O que é isto que o Senhor chamou de “primeiro amor”, que invalidava toda a firmeza doutrinária da igreja e colocava como nada todo o sofrimento experimentado na defesa do ensino bíblico?

O comentarista William Barclay oferece duas alternativas ao sentido de “primeiro amor”. Diz ele: (1) Pode significar que tinha desaparecido o primeiro entusiasmo. É possível que o Cristo ressuscitado esteja acusando a Igreja em Éfeso de ter perdido o entusiasmo e ardor de sua primeira piedade; (2) Mas é muito mais possível que signifique que se tinha perdido a primitiva vivência do amor fraternal.

Penso que os dois sentidos para a perda do primeiro amor, oferecidos por Barclay, se aplicam e são complementares. A igreja cuidou tanto da doutrina que se tornou fria, apática. Perdeu o entusiasmo inicial pela pregação do evangelho. O apego à letra matou a igreja. A consequência disto foi o esfriamento das relações entre os irmãos. O cuidado um do outro deixou de ser amoroso, fraternal e passou a ser o da regra. Uma igreja fria na relação com o Senhor será também uma igreja sem cuidado fraternal, sem carinho, sem amor, sem aconchego.

A recomendação do Senhor a Éfeso é a mesma a nós: lembra-te, arrepende-te, volta… enquanto é tempo.

Pr Gilvan Barbosa

 

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