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O INIMIGO INVISÍVEL

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No dia 26 de abril de 2011 o mundo lembrou os vinte e cinco anos do maior acidente nuclear da história da humanidade: a explosão do reator da usina nuclear de Chernobyl. Em uma entrevista à rádio Jovem Pan o físico brasileiro José Goldemberg disse: “ninguém sabia o que fazer, pois era lidar com um inimigo invisível”. Segundo estimativas da ONU 4.000 pessoas morreram após a tragédia, mas a Comissão Nacional para Proteção contra Radiação da Ucrânia aponta o número de 500.000 mortos.

Ao ouvir a entrevista, fiquei pensando nas palavras de Paulo à igreja de Éfeso: “Pois nós não estamos lutando contra seres humanos, mas contra as forças espirituais do mal que vivem nas alturas” (Ef 6.12). Temos um inimigo invisível. Se Chernobyl ceifou 500 mil vidas, nosso inimigo tem levado milhões e milhões. Infelizmente não temos nos apercebido disto. Continuamos frenqüentando os templos como se estivéssemos lidando com algo concreto, visível, humano. Achamos que nossos planejamentos estratégicos, nossas programações resolverão o problema. Paulo nos diz que isto é engano, e recomenda que usemos as armas, as ferramentas certas: “Por isso peguem agora a armadura que Deus lhes dá. Assim, quando chegar o dia de enfrentarem as forças do mal, vocês poderão resistir aos ataques do inimigo e, depois de lutarem até o fim, vocês continuarão firmes, sem recuar” (Ef 6.13). Entre as peças desta armadura divina o apóstolo menciona a Palavra de Deus (Ef 6.17), a Oração (Ef 6.18) e a fé em Cristo Jesus (Ef 6.16).

Tendo na memória Chernobyl e agora, mais recentemente, Fukushima, no Japão, onde mais vidas foram dizimadas, como disse Goldemberg, pelo inimigo invisível, não posso esquecer as vidas ceifadas, em nossos lares, por aquele que domina “completamente este mundo de escuridão” (Ef 6.12). Se você parar um pouco e olhar sua trajetória cristã, poderá fazer uma longa lista de filhos de crentes que, outrora, viveram em nossos templos vibrando, pregando, louvando, e hoje foram vencidos pelo “inimigo invisível”. Isto não lhe comove? E o que dizer de maridos e esposas que também foram ficando pelo caminho? Já não estão conosco. Deixaram a trincheira da batalha. Foram vencidos. Você pode apresentar várias justificativas e explicações, mas só uma é biblicamente correta: não estamos lutando com as armas divinas. Estamos lutando com nossas próprias forças e armas, que são facilmente vencidas.

Quero convocá-lo a uma intensa campanha de oração pelas famílias da igreja. Queremos colocá-las sob a proteção de Deus, mas também resgatar do domínio do inimigo os filhos, esposos e esposas que foram feridos na batalha. A guerra não terminou, ainda é tempo para salvar os que foram levados. Faça um compromisso de levar toda a sua família aos cultos e à EBD. Empenhe-se conosco nesta batalha.

Pr Gilvan Barbosa

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CARTA DO INFERNO

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C. S Lewis, autor de “As Crônicas de Nárnia”, escreveu um livro denominado “Cartas do inferno”. São trinta e uma cartas que Lewis escreveu, abordando os problemas enfrentados pela igreja de sua época, e mostrando como Satanás orientava seus anjos (demônios) a trabalharem para enganar e seduzir a igreja. Estes escritos são do período da segunda guerra mundial, mas são tão atuais como o jornal de hoje. Veja, por exemplo a carta de número dez, transcrita abaixo:

CARTA Número X

Meu caro Wormwood:

Estou deliciado em ouvir do Tropeço que seu paciente tem feito com algumas novas amizades bem desejáveis, e que você já entendeu como usá-las de maneira bem promissora. Eu enfocaria que o casal de meia-idade que tem freqüentado seu escritório é exatamente o tipo de gente que queremos que ele conheça – ricos, espertos, superficialmente intelectuais, e brilhantemente incrédulos sobre tudo neste mundo. Chamo sua atenção para o aspecto de que eles são vagamente pacifistas, não por assuntos morais, mas por um hábito já arraigado de depreciar qualquer coisa que diga respeito a pessoas comuns do povão, além de uma apreciação pouco pensante do que esteja na moda e do comunismo literário. Isso é simplesmente excelente! E aparentemente, você tem feito bom uso de toda a futilidade social, sexual e intelectual deles dois. Mas conte-me mais! Ele está profundamente ligado a esse casal? Não estou me referindo a uma ligação da boca pra fora. Há um sutil jogo de olhares, sorrisos e tons de voz que demonstra que ele faz parte do grupo de pessoas com as quais está conversando (ou seja, conotam cumplicidade com o referido grupo)? Este é o tipo de envolvimento que você deve encorajar, partindo da premissa que os seres humanos não se realizam totalmente em si mesmos, e com o tempo você pode aprender a usar essa dificuldade deles. Sem dúvida ainda é muito cedo para seu paciente perceber que suas posições de fé estão em oposição direta a todas as conversas que ele tem com os novos amigos. Não creio que haja grandes problemas em você persuadi-lo a adiar ao máximo qualquer conhecimento explícito da situação, e isto, com a ajuda da vergonha, do orgulho e da futilidade será uma tarefa simples de se executar.

Quanto mais você conseguir que ele adie uma conversa aberta com a dupla, onde ele se posicione claramente como cristão, mais tempo você estará conseguindo que ele viva na falsidade. Ele silenciará quando deveria falar, e rirá quando deveria estar em silêncio. Ele assumirá primeiramente apenas pelas maneiras, e em seguida pelas palavras, toda a sorte de atitudes cínicas e incrédulas que não são realmente suas. Mas se você manipular bem a situação, pode até conseguir com que as atitudes terminem sendo dele de fato. Todos os mortais tendem a se tornar as coisas que eles pretendiam ser. Isto é elementar. O único problema real é como se preparar para o contra-ataque do Inimigo.

A primeira coisa é você retardar tanto quanto puder o momento no qual ele perceba que esta nova forma de prazer não passa de uma tentação nossa. Uma vez que os servos do Inimigo tem pregado bastante sobre “O Mundo”, como uma das grandes tentações para dois mil anos, isto pode ser bastante difícil de realizar. Mas felizmente eles ultimamente têm tocado pouco nesse assunto nas últimas décadas. Nos escritos cristãos modernos ainda que eu tenha visto muito (na verdade, mais do que eu gostaria) sobre Mamom, vi muito pouco acerca das Futilidades Mundanas, a Escolha de Amigos e o Valor do Tempo. Tudo isso, provavelmente, seu paciente irá classificar como “Puritanismo” – e posso salientar de passagem que o valor que nós temos dado a esta palavra se constitui em um dos nossos triunfos realmente sólidos nos últimos cem anos?

Pelo nosso resgate anual de milhares de seres humanos da temperança, castidade e sobretudo da vida.

Mais cedo ou mais tarde, de qualquer modo, a real natureza de seus amigos tem que se tornar clara para ele, e então suas táticas tem que depender da inteligência do paciente. Se ele for um idiota completo, deixe-o assumir o caráter dos novos amigos somente enquanto eles estiverem ausentes. Suas presenças podem ser manipuladas de maneira a varrer do paciente todo o criticismo. Se isto funcionar, ele pode ser induzido a viver, como temos conhecimento que muitos humanos vivem, por longos períodos de tempo, entre duas vidas paralelas; ele não só terá a aparência de ser, como também será um homem diferente, dependendo do círculo de amizades em que estiver numa determinada noite.

Se isto falhar, há um modo mais sutil e até bem mais divertido. Ele pode ser conduzido a acreditar que um prazer positivo na sua percepção de que os dois lados de sua vida são inconsistentes. Isto é facilmente explorável pela futilidade do paciente. Ele pode ser ensinado a apreciar uma oração de joelhos ao lado do quitandeiro no domingo, apenas porque ele se lembra que o quitandeiro não entende certamente o mundo de gente zombeteira no qual ele habita nas noites de Sábado; e ao contrário, podemos ensiná-lo a apreciar as indecências e blasfêmias que naturalmente brotam de um café com estes admiráveis amigos, em geral porque ele está atento a respeito de um mundo profundo e espiritual o qual ele simplesmente não consegue enxergar, mas não acerca do seu dia a dia nocivo e dominado por nós.

Capte a idéia – seus amigos mundanos o tocam de um lado, e o quitandeiro do outro, e ele está completo, balanceado, o complexo homem que consegue discernir tudo ao seu redor. Então, enquanto está sendo permanentemente traiçoeiro e falso a pelos menos dois grupos de pessoas, ele sentirá, ao invés de vergonha por ser hipócrita, rios contínuos de auto-satisfação. Finalmente, se todo o resto falhar, você pode persuadi-lo, como um desafio à consciência, a continuar o novo relacionamento, em algum caminho incerto e sem compromisso, considerando estas pessoas são “boas” pelo simples fato de estar tomando seus coquetéis e rindo de suas piadas, e que interromper tal relacionamento seria “pedante”, “intolerante” e (é claro) Puritano.

Enquanto isso, você cuidará de tomar as precauções óbvias para se assegurar que este novo desenvolvimento o induz a gastar mais do que ele pode, por suas condições salariais e a negligenciar seu trabalho e sua mãe. Os ciúmes dela, suas preocupações exageradas e o comportamento do paciente cada vez mais evasivo e rude, serão inestimáveis no sentido de agravar a tensão doméstica.

Seu afetuoso tio

SCREWTAPE

Fonte: Cartas do Inferno. Autor: C. S. Lewis

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