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TENHA COMPAIXÃO!

Outro dia entrei em uma avenida, em um bairro da zona leste de Teresina, e contei 12 igrejas. Fiquei estupefato! Não foi diferente quando cruzei a avenida principal da Vila Dulce, na zona sul. Não contei desta vez, mas a situação não era diferente. Igrejas com os nomes mais estranhos possíveis, mas todas se denominando evangélicas. Muitas indagações me saltaram à mente nestes dois momentos: qual a intenção de se abrir várias igrejas, uma ao lado da outra? Não seria mais lógico se elas fossem distribuídas proporcionalmente pela cidade, para alcançar a população? Será que a intenção é, realmente, salvar almas para Cristo? Não estão estas igrejas agindo pelos princípios do comércio, a concorrência, para ver quem conquista mais clientes? Por que tantas igrejas nas grandes cidades e nenhuma ou quase nenhuma no interior, na zona rural? Deus ama mais a população das cidades para que tenham “evangelho de sobra”, enquanto a população do interior tem “evangelho de falta”?

Todas as minhas indagações naqueles momentos foram por conta da situação espiritual de nosso estado, que é alarmante, segundo dados das organizações missionárias. Os batistas são menos de 1% da população piauiense. 34% dos piauienses vivem na zona rural, isto significa 1.067.700 habitantes sem igreja ou com “igreja de menos”. Nas 71 cidades onde não temos igrejas batistas, o índice de não evangélicos é de 96,6%; isto significa que, nestas cidades, o índice de evangélicos é de apenas 3,4%. No Piauí existem cerca de 80 comunidades negras rurais quilombolas, e, nestas, não há igrejas para lhes anunciar o evangelho de Cristo. Não é estranho, diante de um quadro tão caótico, que estejamos abrindo mais e mais igrejas, lado a lado, nas avenidas das cidades? A nossa atitude mais se assemelha ao comércio do que à atitude do Senhor da igreja, Jesus Cristo. O que nos falta para entendermos que as igrejas não são concorrentes e que deveriam estar espalhadas por todos os bairros das cidades e por todas as cidades do estado? Faltam-nos muitas coisas, mas quero frisar uma que considero primordial: compaixão.

 A palavra compaixão aparece muitas vezes no Novo Testamento referindo-se a Jesus. Por exemplo, em Mateus 15.32, quando a multidão ficou três dias ouvindo seus ensinos, Jesus disse aos discípulos: “Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que eles estão comigo, e não têm o que comer; e não quero despedi-los em jejum, para que não desfaleçam no caminho”. A mesma atitude teve para com os cegos de Jericó que clamavam por socorro: “E Jesus, movido de compaixão, tocou-lhes os olhos, e imediatamente recuperaram a vista, e o seguiram” (Mt 20.34). Era assim que Jesus agia. Ele sentia compaixão pelas pessoas.

A palavra compaixão tem o sentido de mover-se “com paixão” em favor do outro. É uma ação prática. É agir para minorar ou aliviar o sofrimento de outrem. Neste sentido o evangelho é a boa nova de compaixão, pois sua mensagem alivia a dor física, emocional e espiritual. Partilhar o evangelho é exercer compaixão. Todavia esta compaixão fica em xeque quando é dada a uns e a outros não. Que compaixão é esta que permite que uns escolham igreja, pastores, dias de cultos, etc, e a outros não é dada sequer a oportunidade de ouvir? Que amor é este?!

Votando à história dos cegos, quando eles ouviram que Jesus passava, começaram a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem compaixão de nós”. Os cegos (aqueles que não veem porque ninguém lhes mostra) do interior do estado, dos quilombos, das comunidades ciganas estão gritando o seu nome e o meu, e suplicando: “tem compaixão de nós”. Eles gritam o meu nome e o seu, porque nós somos Jesus na terra, nós somos a esperança deles. Então, por Jesus, tenha compaixão.

 Pr Gilvan Barbosa

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