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ONDE ESTÁ, Ó MORTE, A TUA VITÓRIA?

Túmulo vazio

 

No próximo domingo, 31/3, comemoraremos a Páscoa. A Páscoa é a festa judaica para lembrar a morte que “passou por cima” de suas casas, sem levar seus filhos, na noite da morte dos primogênitos do Egito. A festa lembra também a libertação da escravidão egípcia. A Páscoa cristã é a lembrança que a morte “passou por cima de nossas vidas”, pois “passamos da morte para a vida” (Jo 5.24), e também é a lembrança que fomos resgatados da escravidão do pecado (Rm 6.18), nosso Egito espiritual. Nossa Páscoa só é possível porque o “cordeiro de Deus” (Jo 1.29) foi imolado na cruz. Mas, a cruz não o deteve, Ele ressuscitou ao terceiro dia. A ressurreição foi Sua, e é a nossa, vitória sobre a morte. Foi por causa desta vitória que Paulo cantou: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Tragada foi a morte na vitória” (I Co 15.55,54).

 Este é um dia festivo, um dia de muita alegria, mas não deixa de ser um dia para inquietação e desafios. Como? Nós, os batistas brasileiros, estamos celebrando a Páscoa no mês de Missões Mundiais. Estamos orando, lendo e contribuindo para missões. Na última quarta-feira, 27/3, estávamos orando pela evangelização da Europa. A Europa que deu ao mundo grandes igrejas cristãs, que nos agraciou com a Reforma Protestante e o movimento moderno de missões, hoje jaz no secularismo e longe do cristianismo. Templos sendo transformados em museus. Onde outrora havia vida, hoje só há história. Vi a angústia de um de nossos missionários, em Portugal, em três anos de trabalho árduo, desejando chegar a 38 membros na igreja que pastoreia, e que tem um templo fabuloso. Como cantar “onde está, ó morte a tua vitória?”, se aqueles que fizeram deste cântico uma realidade para nós, hoje estão derrotados? Não podemos fazê-lo sem um misto de inquietação, aflição e oração.

 Mas, inquieta-me o coração pensar que a realidade da Europa hoje, pode ser nossa realidade amanhã. Corremos sério risco de nos tornarmos outra Europa. Por quê? Porque o evangelho que pregamos não é mais o evangelho da salvação, do arrependimento e da fé pessoal em Cristo. O evangelho que pregamos é um sincretismo de paganismo, comércio e religiosidade. Temos uma Páscoa sem o cordeiro de Deus, com coelho e ovos de chocolate. Temos uma Natal sem Jesus, mas com Papai Noel, renas e presentes. Temos pregações que não falam mais de mudança de vida, de arrependimento, de fidelidade e compromisso com Cristo. Temos púlpitos vazios de Deus! Temos cultos que são entretenimentos para uma sociedade vazia. Aquilo que chamávamos santo lugar, onde tínhamos um encontro com Deus, foi transformado em salão de teatro e de programa de auditório. Os joelhos dobrados em fervente oração e contrição foram substituídos pelos aplausos a uma minoria que representa um “evangelho” morto, sem poder para impactar e salvar. O encontro, que era com Deus, passou a ser apenas com pessoas, pessoas vazias, que vagam de templo em templo, de culto em culto, como aqueles que vagam de bar em bar, de festa em festa… vagam sem Deus e sem direção (Ef 2.12). A Reforma que impactou a Europa do século XVI precisa impactá-la novamente, mas precisa ocorrer no Brasil evangélico, enquanto é tempo, enquanto temos templos e não museus.

Pr Gilvan Barbosa

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SER UMA IGREJA CRISTÃ

POR DO SOL EM SANTA CRUZ DOS MILAGRES

Quando nos perguntam o que somos, respondemos: uma igreja cristã. Somos cristãos. Esta é nossa marca. É interessante notar que o nome “cristão” aparece só três vezes na Bíblia. Em Atos 26.27,28 é mencionado pelo rei Agripa com desdém, referindo-se ao discurso de Paulo: “Por pouco não me persuades a ser um cristão”. Em I Pedro 4.16 revela a lealdade que o nome sempre deve inspirar ao povo de Deus: “Nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou por intrometer-se em assuntos alheios. Porém, se alguém padece com cristão, não se envergonhe; glorifique a Deus neste nome”. E em Atos 11.26, a primeira menção, é uma referência ao estilo de vida que tinham os crentes da igreja de Antioquia: “E os discípulos foram chamados de cristãos pela primeira vez em Antioquia”.

Ser uma igreja cristã é um desafio. Talvez você esteja admirado em eu afirmar que ser uma igreja cristã é um desafio. Por quê? Porque o nome “cristão” perdeu o significado com o passar do tempo. Qual o sentido de “cristão” no contexto do Novo Testamento?

Gostaria de tomar por base da resposta o estilo de vida dos crentes de Antioquia, que levou o povo a chamá-los de cristãos. O resumo desta história encontra-se nos capítulos 11 a 13 de Atos.

A primeira percepção que temos da igreja de Antioquia era a preocupação com a salvação das pessoas ao seu redor (At 11.19-21). A igreja era fruto da pregação do evangelho, mas também mantinha a pregação como elemento primordial de sua vida, a ponto de grande número crer e se converter (At 11.21). A loucura da pregação é marca de uma igreja cristã (I Co 1.21).

Naquela igreja cristã havia cuidado com as necessidades materiais de seus semelhantes, especialmente dos irmãos em Cristo (At 11.27-30). Percebendo a situação que os irmãos se encontravam por causa da seca, “resolveram mandar, cada um conforme suas posses, socorro aos irmãos que habitavam na Judéia” (At 11.29). Um cristão será sempre alguém que se move a ajudar. Um cristão será sempre alguém desapegado a bens materiais, e que entende que estes são para seu sustento, mas também para abençoar os que precisam. Ajudar não é só um gesto cristão, é uma característica do cristão.

Ser cristão em Antioquia era ter comunhão com Deus, ouvir Sua voz, e, principalmente obedecê-la (At 13.1-3). A comunhão com Deus naquela igreja envolvia pregação, ensino, oração, jejum, estar atento à direção de Deus e obediência às suas determinações. Cristão é marca, é caráter, é estilo de vida, é comprometimento com o Senhor. Cristão não negocia valores, nem princípios. Cristão não olvida a voz do Senhor, antes a acata de forma irrestrita.

Deus nos conceda viver cada dia como uma igreja cristã!

 Pr. Gilvan Barbosa Sobrinho

 

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