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FÉ CIDADÃ

Clamor pelo Brasil

Neemias, o homem usado por Deus para a reconstrução dos muros de Jerusalém é um bom exemplo de uma fé cidadã. Ele trabalhava no Palácio do rei Artaxerxes. Sua situação era confortável. Estava a mil quilômetros distante de Jerusalém. Mesmo assim, quando toma conhecimento do estado de destruição da cidade, ele chora, pranteia e ora por quarenta dias, pedindo a Deus as condições para fazer algo para mudar o quadro de vida de seu povo.

O povo de Jerusalém estava há quase cem anos vivendo no meio de escombros. Para eles a situação era normal. Para Neemias tudo aquilo depunha contra sua fé e o nome de seu Deus. Após chegar à cidade, e pessoalmente fazer o diagnóstico da situação, ele desafia o povo a mudar de atitude, a abraçar a mudança necessária. Era o desafio de levantar um muro de 12 metros de altura, por 7 de largura e um perímetro de cerca de 500 metros. Bastou a palavra do servo de Deus para que o povo recobrasse o ânimo e colocasse “a mão na massa”. Governadores, filhos de governadores, ourives, perfumistas, comerciantes, sacerdotes, não importava a classe ou posição social, todos consideraram a obra de construção uma questão de fé. Aquilo não era algo secular, era uma intervenção de Deus na vida social do povo.

Não podemos fechar os olhos diante do quadro de destruição ética, moral e social em que vive nossa gente. Agir diante deste quadro é uma questão de fé cidadã. Quando leio o Palavra de Deus dizendo que “bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor” (Sl 33.12), não encontro uma interpretação neotestamentária para um Estado teocrático, mas vejo nas palavras do salmista um desafio para um Estado, cujos cidadãos sejam servos do Senhor. Uma nação onde servos de Deus ajam com justiça, retidão e acima de tudo vendo-se como ministros de Deus em benefício de salvos e perdidos.

Quando leio meu Senhor dizendo que somos sal e luz deste mundo (Mt 5.13,14), vejo em suas Palavras a verdade que fomos salvos com a finalidade de mudarmos o ambiente, a sociedade em que vivemos, dando-lhe valores cristãos, como também direção para encontrar saídas para seus males. Estes sempre existirão até a vinda de Jesus, pois são consequência de uma humanidade corrompida pelo pecado. O que não pode, nesta sociedade corrompida, é o sal perder o sabor e a luz o seu brilho. O servo de Deus não pode acostumar-se a um mundo sem valores dignos, um mundo de destruição, como o povo de Jerusalém havia se acostumado.

Eu e você somos desafiados a viver uma fé cidadã. “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (II Cr 7.14). A partícula “se” é uma condição de fé em um Deus que ouve, perdoa e sara a terra. Ele muda a realidade da terra, da sociedade, mas isso condicionado a uma fé cidadã, uma fé que espera e busca a mudança.

 Pr Gilvan Barbosa

EM UM BRASIL EM TREVAS, VOTE CERTO

O tema de Missões Nacionais deste ano, “em um Brasil em trevas, seja luz”, não poderia ser mais propício para um ano de eleições. No próximo domingo, 7/10, estaremos, em um ato de pura cidadania democrática, votando nos prefeitos e vereadores de todas as cidades do Brasil. Como luz deste mundo (Mt 5.14) que somos, nosso voto precisa contribuir para que o Brasil saia das trevas. Como podemos fazer isto?

Entenda que o voto é seu, pessoal, intransferível. Seu voto não pode ser fator de negociação ou barganha. Ao votar você estará demonstrando os rumos que deseja que sua cidade siga. Seu candidato pode não ser o vencedor, mas deve ser aquele que você confia que fará de seu município um lugar melhor para todos viverem.

Vote em alguém que tenha princípios e valores que se coadunem com o evangelho de Cristo. Não estou dizendo que você só deve votar em evangélico. Estou dizendo que você precisa conhecer os valores de seu candidato. O que ele pensa sobre a família? Você, como cristão, recomendaria o exemplo de vida familiar de seu candidato? Como são seus negócios? Se ele já é político, seu estilo de vida revela o que ganha ou você percebe um enriquecimento rápido demais? Você considera seu candidato uma pessoa justa? Você entregaria uma causa sua aos cuidados dele? Estas perguntas lhe darão uma orientação sobre os valores e princípios de seu candidato.

Não vote em candidato que usa a posição espiritual que ocupa para conseguir votos. As expressões “curral eleitoral”, “voto de cabresto” estão ligadas ao nosso passado histórico, quando os que detinham o poder da terra obrigavam seus empregados a votar em quem indicavam. Hoje, para vergonha nossa, temos os “currais religiosos”. Homens que ocupam uma posição espiritual diante de um grupo usam o lugar sagrado da pregação da Palavra de Deus, o púlpito, para indicar candidatos ou se autoindicarem como os predestinados para uma função legislativa ou executiva. Os líderes religiosos que pleiteiam eleição deveriam ser éticos o suficiente para se afastarem da função espiritual que ocupam, enquanto transcorre o processo da eleição.

Vote em alguém que tem competência para o exercício do cargo que almeja. O Pr Neemias dos Santos, neste particular, faz a seguinte reflexão: “você precisa sofrer uma cirurgia. Dois médicos são indicados, um cristão, e outro ateu. Sem dúvida, escolhe-se o cristão. Mas você é informado que com o cristão, de cada dez pacientes operados, 9 morrem. E com o ateu, apenas 1. Com qual dos dois você operará?” Entenda que para o exercício de um cargo publico não basta ser crente, é preciso ter competência.

Não vote em alguém que você sabe que compra votos. Alguém que oferece combustível, cimento, tijolo, emprego, etc. para conseguir votos não é digno de confiança. O voto deve ser conseguido por causa de projetos apresentados, de valores defendidos.

Entenda que a opinião política de seu líder espiritual é a opinião de um cidadão, não uma profecia divina a se cumprir. Você deve acatar a palavra de seu pastor (líder) naquilo que ela se coaduna coma Palavra de Deus. Isto implica que você deve conhecer a Palavra de Deus para não embarcar em “profetadas” de espertalhões da religião.

No mais, “quer comais quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus” (I Co 10.31), inclusive seu voto.

Pr Gilvan Barbosa

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