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UMA GERAÇÃO DE APAIXONADOS

Já ouvi a expressão “uma geração de apaixonados” em várias músicas evangélicas da atualidade. A ideia passada é que uma geração de apaixonados por Jesus está se levantando. Também há uma “desconceituação” do conceito real da palavra. Estas músicas tentam passar a ideia de que estar apaixonado por Jesus é algo melhor do que amá-lo. O “desconceito” da palavra paixão a coloca como algo superior ao amor. É como se o amor fosse algo morno e a paixão fosse algo forte e vivo.

Penso que, se este “desconceito” tornar-se real, daqui a alguns anos lerei João 3.16 assim: “Porque Deus apaixonou-se pelo mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para eu todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Já pensou? E o primeiro e grande mandamento ficará assim: “Apaixonar-te-ás pelo Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento”. Que coisa!

Mas, confesso que olhando a igreja cristã da atualidade, começo a acreditar que estes cantores, defensores da geração de apaixonados, têm razão. Senão vejamos:

O dicionário Aurélio define paixão como “afeto violento, amor ardente”. O dicionário Aulete afirma: “emoção ou sentimento muito forte, capaz de alterar o comportamento, o raciocínio, a lucidez”. O Pr Altair Germano diz que paixão é um sentimento “que nos leva a desejar ardentemente, e até obsessivamente coisas ou pessoas”, por isso, “dura intensamente por um tempo muito curto”. Creio que é isto que estamos vendo em nossas igrejas. Pessoas são tomadas por um sentimento de entrega, por um amor ardente por Jesus e sua igreja, e isto dura “um encontro”, um retiro, uma conferência ou um louvorzão gospel. Esses apaixonados não aguentam tempestades, nem doenças, nem tempos difíceis. Vivem de experiência em experiência, de campanha em campanha, de encontro em encontro, de igreja em igreja. Eles não têm perseverança, não têm consistência, vivem em uma gangorra espiritual: hora em cima, hora embaixo; da mesma forma que obsessivamente são atraídos para Cristo, afastam-se de Cristo, da igreja e do evangelho. Nunca na história da igreja vimos tantos desviados da fé, pessoas que tiverem um contato ardente com a igreja, mas que a deixaram e vivem no mundo. É assim a paixão.

A paixão é um sentimento que domina a razão do apaixonado. Este, para possuir o objeto da paixão, ou para satisfazer seu sentimento de felicidade é capaz de mentir, enganar e até matar. Muitos deixam o lar, a(o) esposa(o) de anos, os filhos e enveredam em uma relação com outra pessoa, deixando atrás de si um rastro de feridas e sofrimentos. Os que agem assim justificam que a razão é a felicidade pessoal. Foi por conta de uma paixão assim que Davi pecou terrivelmente contra Deus, matando Urias, para esconder uma gravidez fruto de uma paixão insana. Os apaixonados por Cristo são, da mesma forma, dominados pelos sentimentos. Eles vivem uma busca frenética da felicidade. Na verdade, para estes apaixonados, Deus existe para fazê-los felizes. Por conta da felicidade pessoal são capazes de qualquer coisa: de orar, por exemplo, agradecendo a Deus um troco passado a maior pelo caixa, como sendo bênção de Deus. Para estes não existe certo e errado, existe o que os deixa feliz ou o que os deixa infeliz.

A paixão é um sentimento que nasce de fora para dentro. Não vem do interior transformado, do novo nascimento, da alma arrependida e contrita; vem da beleza encantadora, do toque sensual, do ouvir agradável. Paixão e “eros” estão intimamente ligados. “Eros” é o amor erótico, sensual, termo nunca aplicado à relação com Deus. A paixão, por ser um sentimento sensual, é descrita no Novo Testamento como: paixão lasciva (Cl 3.5), paixões infames (Rm 1.26), paixões mundanas (Tt 2.12), etc. Fico pensando como tem gente se relacionando com Deus por um sentimento de fora para dentro. Pessoa que precisam de um culto “assim ou assado” para que sua conexão com Deus seja efetiva. Dependem do que está fora: da música, do pregador, das pessoas, etc. Na verdade estes apaixonados cantam certas música que, de tão sensual, só descobrimos que fala da relação com Jesus, quando o nome aparece, normalmente no fim da música. Se tirar a palavra “Jesus” você pode cantá-la para sua(eu) namorada(o), noiva(o) ou esposa(o).

Você é parte da geração de apaixonados? Espero que não.

Pr Gilvan Barbosa

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