Um canto para leitura e reflexão

Arquivo para a categoria ‘Datas comemorativas’

DIA DO PASTOR

Dia do Pastor

Segundo domingo de junho, dia do pastor. Dia de gratidão a Deus pelos que militam no ministério pastoral; dia de intercessão para que os pastores sejam guardados do mal e se mantenham fiéis ao que os arregimentou, sendo “exemplo dos fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza” (II Tm 2.4; I Tm 4.12); dia de súplica ao Senhor da seara por mais trabalhadores para a sua seara (Mt 9.38).

Neste dia é também importante resgatarmos a figura do pastor, como preceitua a Palavra de Deus. Pastores que pastoreiem segundo o coração de Deus e que apascentem com sabedoria e inteligência (Jr 3.15). Pastores que deixem noventa e nove ovelhas protegidas e alimentadas e se aventurem em busca da que se desgarrou (Lc 15), e que, encontrando a desgarrada, a trazem para junto das outras e celebrem. Pastores que se movem de compaixão ao ver ovelhas desgarradas e errantes (Mt 9.36). Pastores que chorem e lamentem quando o evangelho pregado não produza o arrependimento e a mudança almejada por Deus (Lc 19.41). Pastores que deem a vida pelas ovelhas e o ministério (Jo 10.11; II Tm 2.3, 4.5). Pastores que apascentem “não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores… mas servindo de exemplo ao rebanho” (I Pe 5.2-3). Pastores que considerem o cumprimento cabal do ministério mais importante que a própria vida (At 20.24).

Como não pode existir pastor sem ovelha, hoje é dia de resgatarmos a figura bíblica da ovelha. Aquela que dá a seu pastor sustento e respeito devidos (Pv 27.27; I Tm 5.17). Que lembra de seu pastor e procura imitar-lhe a fé (Hb 13.7). Que lhe trata como homem de Deus, vaso escolhido, não como empregado, ou administrador de empresa (At 9.15). Que não hesita em procurá-lo para orientações e ajuda espiritual (At 10.1-8). Que o coloca em oração no altar do Senhor, especialmente quando percebe que seu ministério e vida correm riscos (At. 12.5).

Hoje é dia de louvarmos e agradecermos Àquele que é o dono da seara, o Senhor da igreja, que chama e convoca homens simples e os transforma em seus embaixadores (Is 6.8; II Co 5.20). Que lhes dá palavra de ousadia, intrepidez e poder (At 4.13; Ef 6.19). Que lhes transforma em vasos escolhidos para levar Seu nome “perante os gentios, e os reis, e os filhos de Israel” (At 9.15). Que faz com que Sua Palavra na boca destes homens chamados não volte vazia, mas faça o que a Ele seja aprazível (Is 55.11). Que levanta e sustenta cada pastor que lhe responde: “eis-me aqui, envia-me a mim”. Louvado seja Deus, o Senhor dos pastores!

Pr Gilvan Barbosa

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ONDE ESTÁ, Ó MORTE, A TUA VITÓRIA?

Túmulo vazio

 

No próximo domingo, 31/3, comemoraremos a Páscoa. A Páscoa é a festa judaica para lembrar a morte que “passou por cima” de suas casas, sem levar seus filhos, na noite da morte dos primogênitos do Egito. A festa lembra também a libertação da escravidão egípcia. A Páscoa cristã é a lembrança que a morte “passou por cima de nossas vidas”, pois “passamos da morte para a vida” (Jo 5.24), e também é a lembrança que fomos resgatados da escravidão do pecado (Rm 6.18), nosso Egito espiritual. Nossa Páscoa só é possível porque o “cordeiro de Deus” (Jo 1.29) foi imolado na cruz. Mas, a cruz não o deteve, Ele ressuscitou ao terceiro dia. A ressurreição foi Sua, e é a nossa, vitória sobre a morte. Foi por causa desta vitória que Paulo cantou: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Tragada foi a morte na vitória” (I Co 15.55,54).

 Este é um dia festivo, um dia de muita alegria, mas não deixa de ser um dia para inquietação e desafios. Como? Nós, os batistas brasileiros, estamos celebrando a Páscoa no mês de Missões Mundiais. Estamos orando, lendo e contribuindo para missões. Na última quarta-feira, 27/3, estávamos orando pela evangelização da Europa. A Europa que deu ao mundo grandes igrejas cristãs, que nos agraciou com a Reforma Protestante e o movimento moderno de missões, hoje jaz no secularismo e longe do cristianismo. Templos sendo transformados em museus. Onde outrora havia vida, hoje só há história. Vi a angústia de um de nossos missionários, em Portugal, em três anos de trabalho árduo, desejando chegar a 38 membros na igreja que pastoreia, e que tem um templo fabuloso. Como cantar “onde está, ó morte a tua vitória?”, se aqueles que fizeram deste cântico uma realidade para nós, hoje estão derrotados? Não podemos fazê-lo sem um misto de inquietação, aflição e oração.

 Mas, inquieta-me o coração pensar que a realidade da Europa hoje, pode ser nossa realidade amanhã. Corremos sério risco de nos tornarmos outra Europa. Por quê? Porque o evangelho que pregamos não é mais o evangelho da salvação, do arrependimento e da fé pessoal em Cristo. O evangelho que pregamos é um sincretismo de paganismo, comércio e religiosidade. Temos uma Páscoa sem o cordeiro de Deus, com coelho e ovos de chocolate. Temos uma Natal sem Jesus, mas com Papai Noel, renas e presentes. Temos pregações que não falam mais de mudança de vida, de arrependimento, de fidelidade e compromisso com Cristo. Temos púlpitos vazios de Deus! Temos cultos que são entretenimentos para uma sociedade vazia. Aquilo que chamávamos santo lugar, onde tínhamos um encontro com Deus, foi transformado em salão de teatro e de programa de auditório. Os joelhos dobrados em fervente oração e contrição foram substituídos pelos aplausos a uma minoria que representa um “evangelho” morto, sem poder para impactar e salvar. O encontro, que era com Deus, passou a ser apenas com pessoas, pessoas vazias, que vagam de templo em templo, de culto em culto, como aqueles que vagam de bar em bar, de festa em festa… vagam sem Deus e sem direção (Ef 2.12). A Reforma que impactou a Europa do século XVI precisa impactá-la novamente, mas precisa ocorrer no Brasil evangélico, enquanto é tempo, enquanto temos templos e não museus.

Pr Gilvan Barbosa

TROQUE O PAPAI NOEL PELO PAPAI DO CÉU

Troque o Papai Noel pelo Papai do Céu

Atribui-se a frase “uma mentira mil vezes repetida se torna uma verdade autenticada” a Joseph Goebbels, ministro das comunicações do regime nazista. A ideia de Goebbels era repetir os princípios do nazismo tantas vezes, em uma espécie de lavagem cerebral, que o povo os incorporasse como verdades absolutas. Após tantos anos da queda do nazismo, e dos malefícios que este regime totalitário trouxe à humanidade, a filosofia de Goebbels é experimentada no mundo atual em relação ao Natal. De tanto se divulgar a ideia do Natal como uma festa do Papai Noel, de tanto visualizarmos sua imagem, de ouvirmos músicas, de participarmos de festas, de sermos estimulados a dar presentes, porque o bom velhinho assim ao fazia, o mito, a mentira, tornou-se uma “verdade” autenticada. Muitas crianças não sabem mais que Natal é o nascimento de Cristo. Papai Noel tornou-se mais popular, na festa de Cristo, que o próprio Cristo. A consequência natural é que o Natal deste mundo não é o Natal Bíblico. O Natal de nossa sociedade não é o Natal de Jesus. O Natal do mundo ao nosso redor não é cristão.

O Natal bíblico e cristão, verdadeiro e da verdade, foi aquele que experimentaram os pastores, na noite em que Jesus nasceu (Lc 2.8-20). Eles guardavam seus rebanhos no campo e receberam o anúncio do nascimento de Jesus por um anjo. O anjo lhes disse que aquela notícia era uma boa nova para todos os povos. Eles largaram os rebanhos no campo e foram ver a “boa nova” concretamente. Quando encontraram o menino, não só anunciaram a todos, mas também glorificaram a Deus.

Natal a é isto: um encontro de glorificação a Deus pelo nascimento de Jesus. Natal é um “ir apressadamente” a Jesus. Natal é Jesus no centro; no centro da festa, no centro da vida, no centro da família. Natal sem Jesus é festa pagã. E é isto que estamos oferecendo a nossos filhos, uma festa pagã. Colocamos a figura de Papai Noel no centro e tiramos Jesus. Oferecemos presentes uns aos outros e não oferecemos nada a Jesus. Agradecemos aos homens, mas esquecemos de agradecer a Deus por Jesus. Lembramos o trenó e esquecemos a manjedoura. De fato, devemos olhar a manjedoura e contemplar a cruz, pois foi para isto que Jesus veio. Sem Natal não teríamos esperança e não poderíamos ser salvos.

Diante do exposto, como crentes em Cristo Jesus, precisamos tomar algumas atitudes:

  1. Reúna a família e agradeça a Deus a salvação em Cristo Jesus, isto é o Natal;
  2. Relembre a seus filhos a história do nascimento de Jesus, explique porquê Jesus nasceu, mostre-lhes o grande amor de Deus para conosco;
  3. Retire de sua casa a figura do Papai Noel, não deixe que seus filhos vivam uma mentira como se fosse verdade;
  4. Partilhe com as pessoas ao seu redor trechos dos evangelhos que contam a história do Natal;
  5. Tenha, durante as comemorações do Natal, uma atitude de gratidão a Deus pelo nascimento de Jesus, e faça uma renovação de compromisso e fidelidade ao Senhor. Se Ele “não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2.6-8), não podemos fazer menos, ou podemos?
  6. Por último, lembre-se da recomendação bíblica: “pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros” (Ef 4.25). Este deve ser um compromisso meu e seu. Papai Noel como sinônimo de Natal é uma mentira.

 Diga a todos: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz” (Is 9.6). Proclame como o anjo aos pastores: “Não temais, porquanto vos trago novas de grande alegria que o será para todo o povo: É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.10-11)

 Pr Gilvan Barbosa

EM UM BRASIL EM TREVAS, VOTE CERTO

O tema de Missões Nacionais deste ano, “em um Brasil em trevas, seja luz”, não poderia ser mais propício para um ano de eleições. No próximo domingo, 7/10, estaremos, em um ato de pura cidadania democrática, votando nos prefeitos e vereadores de todas as cidades do Brasil. Como luz deste mundo (Mt 5.14) que somos, nosso voto precisa contribuir para que o Brasil saia das trevas. Como podemos fazer isto?

Entenda que o voto é seu, pessoal, intransferível. Seu voto não pode ser fator de negociação ou barganha. Ao votar você estará demonstrando os rumos que deseja que sua cidade siga. Seu candidato pode não ser o vencedor, mas deve ser aquele que você confia que fará de seu município um lugar melhor para todos viverem.

Vote em alguém que tenha princípios e valores que se coadunem com o evangelho de Cristo. Não estou dizendo que você só deve votar em evangélico. Estou dizendo que você precisa conhecer os valores de seu candidato. O que ele pensa sobre a família? Você, como cristão, recomendaria o exemplo de vida familiar de seu candidato? Como são seus negócios? Se ele já é político, seu estilo de vida revela o que ganha ou você percebe um enriquecimento rápido demais? Você considera seu candidato uma pessoa justa? Você entregaria uma causa sua aos cuidados dele? Estas perguntas lhe darão uma orientação sobre os valores e princípios de seu candidato.

Não vote em candidato que usa a posição espiritual que ocupa para conseguir votos. As expressões “curral eleitoral”, “voto de cabresto” estão ligadas ao nosso passado histórico, quando os que detinham o poder da terra obrigavam seus empregados a votar em quem indicavam. Hoje, para vergonha nossa, temos os “currais religiosos”. Homens que ocupam uma posição espiritual diante de um grupo usam o lugar sagrado da pregação da Palavra de Deus, o púlpito, para indicar candidatos ou se autoindicarem como os predestinados para uma função legislativa ou executiva. Os líderes religiosos que pleiteiam eleição deveriam ser éticos o suficiente para se afastarem da função espiritual que ocupam, enquanto transcorre o processo da eleição.

Vote em alguém que tem competência para o exercício do cargo que almeja. O Pr Neemias dos Santos, neste particular, faz a seguinte reflexão: “você precisa sofrer uma cirurgia. Dois médicos são indicados, um cristão, e outro ateu. Sem dúvida, escolhe-se o cristão. Mas você é informado que com o cristão, de cada dez pacientes operados, 9 morrem. E com o ateu, apenas 1. Com qual dos dois você operará?” Entenda que para o exercício de um cargo publico não basta ser crente, é preciso ter competência.

Não vote em alguém que você sabe que compra votos. Alguém que oferece combustível, cimento, tijolo, emprego, etc. para conseguir votos não é digno de confiança. O voto deve ser conseguido por causa de projetos apresentados, de valores defendidos.

Entenda que a opinião política de seu líder espiritual é a opinião de um cidadão, não uma profecia divina a se cumprir. Você deve acatar a palavra de seu pastor (líder) naquilo que ela se coaduna coma Palavra de Deus. Isto implica que você deve conhecer a Palavra de Deus para não embarcar em “profetadas” de espertalhões da religião.

No mais, “quer comais quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus” (I Co 10.31), inclusive seu voto.

Pr Gilvan Barbosa

NO DIA DOS PAIS, UMA HOMENAGEM A “SEU DAI”

Ele era incansável. Em minhas lembranças sempre o vejo trabalhando. Quando criança, bem me lembro, demorava dormir esperando sua chegada da roça. Ficava pedindo a Deus para lhe proteger no percurso que fazia, tarde da noite, de bicicleta, das regiões de São Gonçalo, para Água Branca. Eu só dormia quando ouvia o barulho da porta e o tilintar da catraca da bicicleta, entrando corredor adentro; minha mãe, à meia voz, do quarto perguntava: “Manelo?”. Ele respondia com um assobio de cansaço: “ziiiiipi!”. Ele havia chegado em paz, eu podia dormir.

“Seu Daí”, como era conhecido por todos, era aquele homem simples, apenas com alguma leitura, mas que sabia fazer de tudo: era eletricista, auxiliar de enfermagem, pedreiro, carpinteiro, pintor, mecânico de bicicleta, agricultor e comerciante. Ofícios que a vida dura lhe ensinou. Quem, em Água Branca, nos idos de setenta não tomou uma injeção aplicada pelo “Seu Daí”, naquela seringa de vidro, esterilizada na própria caixa de alumínio, fervida à base de álcool? A casa onde fomos criados, uma imensidão de casa, foi edificada por ele, de adobo feitos do barro retirado do fundo do quintal. Mas, ele também cuidou do reboco, da pintura e da eletricidade. Terminei aprendendo fazer instalação elétrica – levei muitos choques por conta disto. No ofício de aprendiz de pedreiro, me tornei o tirador oficial de goteiras, motivo: era tão magro que podia andar sobre as telhas sem quebrá-las, enquanto ele me dirigia com a voz, apontando o lugar exato onde a telha deveria ser trocada. Minha aprendizagem de venda não foi diferente. Aprendi a seus pés, com oito ou nove anos, nas feiras do comércio do “Senhor Barbosa”, meu padrinho. De roça não aprendi quase nada, pois ele não nos deixava ir para a roça, dizia que seus filhos precisavam estudar, não trabalhar na roça. As vezes que fui para a roça, só lhe causei prejuízos. Eu não aguentava o sol, ficava sempre correndo para me proteger em uma moita e bebia toda a água da cabaça. Coitado de meu pai, na hora do almoço não tinha água para beber. Acho que isto era uma razão forte para não me levar muito para as tarefas agrícolas. Ele, de tanto pegar sol, branco como era, ficou com a pele danifica, cheia de escaras grossas, verdadeiras queimaduras.

O que dizer de nossas andanças da roça para casa, de bicicleta ou na carga da burra. Na bicicleta, geralmente, eu e o Gilson, meu segundo irmão. Eu no varão e o Gilson na garupa. Nas subidas das ladeiras, papai precisava levantar-se da sela para dar conta das pedaladas, logo eu recebia um assobio no pé da orelha. O Gilson ficava com as pernas dormentes, dada a posição, ou perdia o chinelo, ou metia o pé nos raios da bicicleta. Então o cuidado com ele era redobrado. As mesmas viagens na burra eram ainda mais hilárias. Geralmente o Gilson e a Salete, minha irmã mais nova, vinham dentro de um dos jacás, eu ficava no outro, completando o peso de equilíbrio da carga com melancias ou outros gêneros agrícolas. Vida dura, mas que hoje me traz saudades.

Embora a vida fosse dura, nunca vi meu pai reclamar. Às vezes, por conta das repetidas secas, perdia toda a plantação, mas não reclamava, não lastimava. Ao primeiro sinal de chuva replantava tudo de novo, mesmo que perdesse novamente. Quando o inverno era bom, os quartos dos fundos da casa ficavam atopetados de arroz até o teto. Neste caso toda a vizinhança era abençoada, pois a melancia, a abóbora, o milho, o feijão novo eram sempre distribuídos com todos. Esta facilidade em dar, contribuir, ajudar tornou-se marca indelével em meu caráter.

Além da facilidade em ajudar o próximo, meu pai era uma pessoa confiável na comunidade. Em qualquer casa ou comércio que chegássemos, fosse solicitando algo emprestado, ou para uma compra, ninguém negava. O nome de “Seu Daí” inspirava confiança. Nós, os seus filhos, tínhamos um paradigma a seguir, ao mesmo tempo uma postura de zelo, para não sair usando seu nome indevidamente, gerando despesas não planejadas.

Com o avançar da idade e as muitas dificuldades na roça, voltou-se para o comércio. A princípio uma pequena venda de gêneros alimentícios e bar ao mesmo tempo. Mais tarde apenas gêneros alimentícios, ou como chamamos aqui: uma mercearia. Neste particular, aprendi com ele uma grande lição de superação. Ele vendia a mercadoria, colocava na garupa da bicicleta e entregava na casa do freguês. Quando mudou o comércio de casa para o mercado público, local que ele ajudou a construir e por conta disto ganhou aquele ponto, seu comércio pegou fogo. Tudo indica que alguém colocou fogo. Lembro-me de ir lá com meu pai ver as cinzas do local. Queimou tudo, não restou nada, nem as telhas. Aquele choque foi terrível para ele. Muito do que estava ali dentro era financiado pelo banco. Agora ele não tinha nada e ainda restava uma dívida a ser paga. Todos na cidade ficaram comovidos com a situação. O banco o chamou para renegociar a dívida e financiar o reinício de seu comércio. “Seu Daí” aceitou o desafio e recomeçou tudo de novo. Depois desta, tornou-se hipertenso, mas reergueu o comércio e honrou os compromissos com o banco. De fato nunca tivemos alguém ou uma instituição cobrando contas não pagas em nossa casa.

Da roça, a princípio, e daquele pequeno comércio “Seu Daí” sustentou sua família e formou seus quatro filhos. Tinha orgulho de nós. Quando dávamos brecha saía “desfilando” conosco pelas casas dos parentes e amigos a nos apresentar e falar do que somos, como uma espécie de troféu, de conquista pessoal. Este ano completa-se dois anos que Deus o convocou para si. Partiu aos 71 anos de idade, depois de muitas lutas com uma hepatite “C”. Entre uma hospitalização e outra, ainda conseguiu fazer a reforma da casa. Mesmo no hospital, monitorava a construção pelo telefone. “Seu Daí” era assim: incansável.

Deus me deu o privilégio de celebrar o culto de bodas de ouro de seu casamento com D Helena, minha mãe – a foto deste texto é daquele culto. Foram 51 anos de casados ao todo. Deus me concedeu ainda a alegria de vê-lo confessar a Jesus como seu salvador pessoal. Eu sempre preguei para ele, dei bíblias, mas ele protelava a decisão. Depois de uma de suas saídas do hospital, no apartamento de meu irmão, apenas nós dois, voltei ao assunto de sua fé em Cristo. Mostrei a ele que ele poderia não sair daquela enfermidade, que o tempo era agora. Ele queria fazer a decisão apenas após a cura. Insisti. Após repetir o plano de salvação em Cristo Jesus, ele disse “sim”. Oramos juntos. Ele confirmou a decisão. Liguei para minha mãe e o coloquei para dar a notícia a ela. A partir daquele momento ele ganhou um novo interesse pela leitura da Palavra de Deus e pelos cânticos espirituais. Quando no hospital não se apartava do celular, que tocava seus cânticos prediletos. Numa de suas voltas para casa ordenou que não mais se vendesse cigarros no comércio. A transformação aconteceu, o novo nascimento efetuou-se. Meu pai já frequentava a igreja batista regularmente, para onde conduzia minha mãe, crente fiel. Para muitos ele já era um crente, mas nós sabíamos que ele não havia feito uma confissão, e a Palavra diz: “se com tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo” (Rm 10.9).

Hoje, dia dos pais, presto aqui minha homenagem a “Seu Daí”, meu pai. No dia 18 de outubro serão dois anos de sua partida. Saudades! Minha gratidão a Deus pelo pai que me deu. Minha gratidão a Deus pelos 71 anos que viveu conosco. Minha gratidão a Deus por salvá-lo em Cristo Jesus. Minha gratidão a Deus, minha eterna gratidão!

Pr Gilvan Barbosa

 

JUBILEU DE PÉROLA

HÁ MUITO QUE AGRADECER!

 “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador” (Lc. 1.46,47). Esta é a expressão de minha alma neste momento, quando se aproximam os meus trinta anos de ministério pastoral.

Sou um piauiense, nascido em São Gonçalo do Piauí, sendo o mais velho de quatro filhos de Manoel do Rêgo Sobrinho (in memorian) e Helena Maria da Silva Rêgo. Casado com Maria de Jesus Coimbra Silva Barbosa, com quem tenho dois filhos: Maradi e Matteus Silva Barbosa. Convertido aos 16 anos de idade e batizado em 26/12/77, na Igreja Batista de Vermelha (Teresina/PI). Fui chamado por Deus para o ministério da pregação, em um culto de oração por Missões Mundiais, e consagrado, após dois anos como Evangelista, pela Igreja Batista de Alvorada (Teresina/PI), em 07/06/1982. Tenho muito a agradecer a Deus, a meus pais, à minha família, às igrejas, aos irmãos, à denominação, aos amigos… à vida.

GRATIDÃO A DEUS

  • Por permitir que um daqueles que pode dizer: “eu sou o menor dos apóstolos, que nem sou digno de ser chamado apóstolo” (I Cor. 15.9), seja seu embaixador na terra e pregador das boas novas de salvação, o Evangelho de Cristo Jesus. ESTA É UMA HONRA IMENSURÁVEL!
  • Por sua infinita, infinita, infinita misericórdia, a lembrar-me todos os dias: “sem mim você não pode nada, você não é nada” (Jo. 15.5).
  • Por me ter dado uma família de servos, que suportam as lidas ministeriais com alegria e vibração.
  • Por me ter dado familiares, irmãos em Cristo, colegas de ministério, colegas de trabalho, amigos que estabeleceram comigo relações saudáveis, nas quais, muitas vezes, uma palavra, um gesto, um e-mail (mesmo encaminhado) me desafia e me desperta para manter-me na trilha e focando o alvo maior: AGRADAR A DEUS.

 GRATIDÃO ÀS IGREJAS DE DEUS CHAMADAS BATISTA

  • Agradeço às igrejas que me permitiram liderá-las e servi-las em pastorados efetivos. Não foram muitas, mas sem elas eu não seria o pastor que sou, e não teria aprendido a lidar com as diferenças. Igreja Batista de Alvorada (Teresina/PI), que me permitiu pastoreá-la por 8 anos, aprendendo e reaprendendo como um jovem evangelista/pastor. Ali Deus nos deu preciosos frutos que estão espalhados por esta pátria levando a semente da salvação. Igualmente suas Igrejas Filhas: Igreja Batista Centenário (Teresina/PI), Igreja Batista Betel, hoje Segunda Igreja Batista do Saci (Teresina/PI). Igreja Batista Éden (Belém/PA), que pastoreei por 4 anos como seminarista/pastor, bem como suas Igrejas Filhas: Congregação Batista de Águas Negras (Belém/PA), Igreja Batista de Recanto Verde (Belém/PA). Igreja Batista de Cremação, que me permitiu pastoreá-la por 8 anos e experimentar um programa missionário edificante. Suas Igrejas Filhas foram fruto desta obra missionária: Igreja Batista de São Domingos do Capim (S. D. do Capim/PA), PIB do PAAR (Ananindeua/PA), Igreja Batista do Roraima-Amapá (Ananindeua/PA), Congregação Batista Emanuel (Ananindeua/PA), Congregação Batista de Soure (Soure/PA), Congregação Batista do Moju (Moju/PA) e Congregação Batista Vida Nova (Parnaíba/PI), hoje Igreja Batista Nova Aliança. A Primeira Igreja Batista em Teresina que há três anos tem nos acolhido, amado, sustentado e vivido conosco a experiência e o desafio de buscar plantar uma igreja em cada cidade deste nosso Estado do Piauí. Em três anos Deus nos deu 11 (onze) congregações e este ano de 2012 chegaremos a 12 (doze) congregações. Esta é uma aventura de milagres. Isto só tem sido possível porque a PIB em Teresina tem cumprido o que fizeram as igrejas da Macedônia: “e não somente fizeram como nós esperávamos, mas primeiramente a si mesmos se deram ao Senhor, e a nós pela vontade de Deus” (II Co 8.5)
  • Minha gratidão também às igrejas que pude ajudar em PASTORADO INTERINO: PIB de Santo Antônio do Tauá (Santo Ant. do Tauá/PA), PIB do Tapanã (Belém/PA), PIB do Guamá (Belém/PA), Igreja Batista Nova Jerusalém (Ananindeua/PA) e Igreja Batista Boas Novas (Ananindeua/PA).

GRATIDÃO AOS COLEGAS DE MINISTÉRIO que, no processo ensino-aprendizagem se deixaram ensinar, e também ensinaram, em um caminhar de discipulado que transcendeu a letra, e alcançou a vida. Alguns caminharam desde as primeiras letras, outros apenas nas primeiras letras, e alguns apenas por momentos de direção, aconselhamento, em um partilhar de visão de mundo, de vida e de reino de Deus. Estas vidas me são inspiração, e, nos momentos de desânimo, a energia para continuar com alegria e determinação. Muitos destes são pastores, outros líderes de igrejas, mas todos são colegas de ministério.

GRATIDÃO AOS PAIS NA FÉ

Estes foram os instrumentos em momentos decisivos de minha caminhada.

Diác. Florêncio Ribeiro de Carvalho (Teresina/PI), que me conduziu nos primeiros passos da vida cristã.

Pr. José Pereira da Costa e Silva (Timon/MA), que me oportunizou pregar o primeiro sermão.

Mis. Peggy Pemble (EUA), que me concedeu a visão missionária e da necessidade de plantar igrejas.

D. Ida de Freitas Dias Pereira (in memorian), que me ensinou o valor da integridade e dedicação ministerial.

Pr. Francisco Terceiro da Cunha (RJ), que me deu as primeiras aulas quando desejei aprender mais da Palavra de Deus.

Pr. Donald Spiegel (EUA), que me ofereceu sermões e me orientou na vida prática da igreja.

Dr. Antonio Peres Parente (Teresina/PI), que me possibilitou a primeira experiência de dirigir uma congregação.

D. Maria do Amparo Rocha Aguiar, que me apoiou na liderança no primeiro ministério e partilhou de minhas dúvidas e deficiências.

Pr. Orman W. Gwinn, que me permitiu ingressar no Seminário no meio do semestre, e me possibilitou exercer, por vários anos, a função de monitor.

GRATIDÃO AOS QUE ORAM por minha vida e ministério. Estes são muitos, que é impossível mencionar, mas sei que sem eles Deus não faria o que faz comigo. Sem estas orações o meu ministério não teria unção.

GRATIDÃO À DENOMINAÇÃO que tem me tem permitido usar os dons concedidos pelo Senhor em várias funções, na busca de formar líderes segundo o coração de Deus.

            *Convenção Batista Piauiense como Diretor de Evangelismo cuja ênfase foi o treinamento em Testemunho pessoal e mutirão na abertura de igrejas.

            *Junta de Missões Nacionais como Coordenador do Pólo Estratégico de Belém, tendo a centralidade no discipulado e o inicio do que hoje é chamado LIBRAS.

            *ABBAR como Secretário Executivo, onde os programas centrais eram: trabalho social e de construção. Sob a liderança dos irmãos Dr. José Maria Lobato, Dra. Suzana, Dra. Ruth Brazão, Dra. Giseuda e Ellen Nery Chaves foi possível oferecer atendimento de qualidade aos carentes de Belém uma vez ao mês. O grupo de “Missionários Construtores” liderados pelos irmãos Mário Gomes, José Venicius e Vicente possibilitaram recuperação de templos, batistérios, construção de casas pastorais, em parceria com os irmãos americanos, como: Congregação Moriá, Igreja de Recanto Verde e Nova Marambaia. A percepção foi clara: tudo o que Deus precisa para realizar sua obra está no meio de seu povo, basta cada um colocar o que tem e o que sabe à disposição do Senhor.

            *STBE tendo iniciado como aluno, passando pela liderança dos alunos, professor, Coordenador de Curso, Vice-Reitor, Reitor Interino e Diretor Geral. Nenhum trabalho foi feito sem o apoio de igrejas, pastores, professore, alunos, funcionários, e, por uma equipe de ouro: Pr. Alexandre Aló (Vice-Diretor), Pr. Ronaldo Fermiano de Souza (Dir. Adm. e Financeiro), Profa. Vanja Terra e Gabriela Campos (Secretárias). O STBE foi minha casa, minha escola, meu trabalho, meu ministério, minha família por mais de 20 (vinte anos).

*CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA que, através de sua liderança, especialmente de seu Diretor Geral, Pr Sócrates Oliveira de Souza, tem me permitido servir e me apoiado no caminhar ministerial. Vejo meus líderes como inspiração para que seu seja aprovado naquilo que faço para o meu Salvador e Senhor, Jesus Cristo.

Se você leu estas linhas até aqui, obrigado! E se conseguiu chegar até aqui, sinta-se convidado a agradecer a Deus comigo e com a PIB emTeresina. Gostaria ainda de lhe pedir um presente: uma Bíblia na linguagem de hoje. Esta será para o projeto missionário de plantação de uma igreja na cidade de Santa Cruz dos Milagres (PI). Já compramos a casa e estamos esperando Deus nos mandar um casal de missionários, para que possamos iniciar a Congregação.

“O maior bem não são as coisas ou o dinheiro, não é a natureza ou o ecossistema; o maior bem existente é o ser humano. O homem é o foco de Deus; o homem é o alvo de Jesus. O ser humano é eterno, e em função dele Deus criou tudo. O foco de todo ministro de Deus tem que ser o homem, para apresentá-lo a Deus santo e irrepreensível” (Pr. Gilvan Barbosa Sobrinho).

Deus o abençoe!

A Bíblia Fala

Houve um tempo em que no Brasil os evangélicos eram chamados de “Bíblias”. Como é freqüente ocorrer em relação às designações pejorativas endereçadas ao que é bom, as quais em geral atiram no que veem e acertam no que não veem, essa forma de tratamento acabava sendo um elogio, em lugar de uma crítica. Ser identificado como “Bíblia” equivalia, em termos, a ser chamado de cristão, a exemplo do que aconteceu em Antioquia com os seguidores do Caminho (At 11.26). Por menor que fosse nesse sentido a intenção dos que se valiam da palavra alusiva às Escrituras para identificar os crentes, o fato é que seu uso representava colar a imagem deles ao que de melhor podia existir no que se refere a elementos como o adequado conhecimento de Deus, a base escriturística da legítima doutrina cristã e o melhor padrão de conduta ética. Ser um “Bíblia” era, na verdade, ser uma personalidade religiosa de alto nível e um cidadão digno de todo acatamento e confiança.

Hoje em dia, o termo tornou-se rarefeito, se é que ainda é usado. Outros nomes apareceram, definindo com maior ou menor precisão o estatuto confessional daqueles que aceitam a Jesus Cristo como Salvador, valem-se de um linguajar eclesiástico específico e frequentam os templos das diversas igrejas e denominações não católicas. Perdeu-se, contudo, a linha de conexão que mantinha a imagem do evangélico típico ligada ao livro que fundamenta a fé dos verdadeiros filhos de Deus. Para mal dos pecados, ganhou força no seio das correntes mais críticas a concepção do povo evangélico como constituído de gente hipócrita e presumida, que só pensa em dinheiro ou, pior ainda, que só pensa na melhor maneira de tirar dinheiro do próximo.

Não sendo o caso de se desejar um retorno ao antigo modo popular de fazer referência aos crentes, não deixa de ser uma ótima oportunidade para se pensar nas relações entre o fiel e a Palavra. Em geral, as motivações utilitárias acabam fazendo com que a Bíblia seja vista e usada meramente ou como objeto de proteção ou como manual de auto-ajuda, no pior sentido da expressão, sem falar em sua utilização para contestar posições teologicamente equivocadas, no estilo texto-prova. Há outros exemplos de uso deplorável da Escritura, inclusive o caricatural, em que bandidos se disfarçam de crentes com a Bíblia na mão, mas o que se quer enfatizar aqui é o fato de que só há um uso correto que se possa fazer da Bíblia – e é deixar que ela fale.

Isso não é tão difícil que impeça o acesso de qualquer pessoa ao conteúdo da verdade revelada, nem é tão fácil que torne vulgar esse conteúdo pelo fato de ele ter que se apresentar na embalagem despretensiosa da linguagem corrente. Através da Bíblia, dependendo da atitude do leitor, Deus tanto se revela quanto se oculta. Mesmo para o intérprete que tem a mente de Cristo e é, por isso, intelectualmente honesto, não deixam de existir os pontos de difícil compreensão, como Pedro adverte a respeito de algumas passagens paulinas.

Apesar disso, a Bíblia sempre falará com clareza a quem tem ouvidos de ouvir, especialmente no que se refere aos elementos essenciais da salvação.

Por isso, o sinal de alerta mais estridente deve soar exatamente quando aparecem os lobos em pele de ovelha declarando ter a revelação total a partir de textos bíblicos isolados. Estes são os mais perigosos e devem ser desmascarados através da única ferramenta existente para isso: a própria Bíblia.

Fonte: Editorial de “O Jornal Batista”, de 11/12/11

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