Um canto para leitura e reflexão

Na sexta-feira, 29/6, o IBGE divulgou o item religião do censo 2010. Foi um momento aguardado com muita expectativa. Enfim, a resposta: os evangélicos receberam 16 milhões de seguidores nos últimos dez anos, passando de 15,4% para 22,2% da população brasileira. Hoje somos 42,3 milhões de evangélicos. Como evangélico eu deveria estar eufórico, comemorando, afinal chegamos a um quinto da população. Incrível, não estou. Por quê? Porque não vejo o reflexo deste aumento na vida da população. O aumento do número de evangélicos, pelo que é o evangelho de Cristo, deveria implicar na redução da corrupção, do consumo de drogas, por exemplo, e não é isto que estamos vendo. Então digo que estes números são números sem impacto; não fazem diferença.

A mesma observação cabe em relação aos números de nosso Estado, ou de sua capital. O Piauí continua como o Estado menos evangélico do Brasil, mas saiu de 6,02% para 9,7%, isto significa 302.982 evangélicos. Teresina tem dados interessantes. A população da cidade é de 814.230. O número de evangélicos é de 108.638, mas conseguimos levar para a “marcha para Jesus”, em 7/6, 170 mil pessoas. Quer dizer, levamos para a avenida mais gente do que os que se declararam evangélicos no censo. Preste bem atenção: colocamos na passeata 20% da população da cidade. Qual o resultado disto, além da imagem na televisão e das manchetes nos jornais? Tudo indica que esta massificação do evangelho tem um resultado concreto: o aumento dos evangélicos nominais. Deixamos de receber as pessoas por conversão, pelo novo nascimento, e passamos a recebê-las por adesão. Elas aderem ao ser evangélico por receber ou desejar receber uma bênção. Na verdade esta adesão leva alguns a acreditarem que Deus precisa deles, pois “se convertendo”, atraem muitos outros para a igreja.

A implicação direta desta mudança de paradigma é que “os convertidos” não precisam mudar seu estilo de vida. Eles podem se declarar evangélicos e orar agradecendo, por exemplo, uma oferta recebida do desvio de verbas governamentais; ou agradecer porque alguém facilitou o envio de uma verba para patrocinar um dado evento da igreja. Alguns púlpitos são, inclusive, usados para convencer a massa a eleger estes facilitadores.

Quão diferente é o evangelho do Novo Testamento! As multidões se convertiam, não porque aderiam, mas porque eram impactadas pela mensagem e mudança na vida de outra pessoa. Veja, para exemplificar, o ocorrido em Atos 17.1-9. Dois homens, apenas dois homens, impactam uma cidade. A expressão dos líderes da cidade de Tessalônica foi: “estes que têm transtornado (impactado) o mundo chegaram também aqui” (At. 17.6). Este impacto causado pela mensagem de Paulo e Silas levou à conversão “grande multidão de gregos devotos e não poucas mulheres de posição” (At 17.4). Ali surgiu uma igreja, não destas que ficam a prometer bênçãos para conquistar o “freguês”, mas de pessoas que “se tornaram imitadoras de Cristo”, recebendo a Palavra por meio de muita tribulação. Crentes que impactaram a Macedônia e Acaia, que deixaram os pecados do passado e se converteram dos ídolos a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro (I Ts 1.6,7,9). Esta é a igreja que precisamos! Estes são os números que impactam a sociedade!

Pr Gilvan Barbosa

Comentários em: "NÚMEROS QUE NÃO IMPACTAM" (5)

  1. Caro pastor Gilvan, concordo com o seu texto 100%, é um crescimento “sem impacto”. Esse número é apenas fictício, não temos no Brasil, Piauí e Teresina uma grande quantidade de cristãos que imitam a Jesus, temos sim um aumento de evangélicos nominais. Mesmo assim vamos continuar pregando o evangelho de poder, sonhar com uma Igreja de seguidores do Senhor.

  2. ESSA “MARCHA PARA JESUS” É SÓ FOLIA. DEUS NÃO É DEUS DE DESORDEM,GRITARIA, ALGAZARRA. DEUS É UM DEUS DE DECENCIA E ORDEM.
    DUVIDO SE QUEREM MARCHAR COM A BIBLIA NA MÃO E SAIR PELAS RUAS FALANDO DO AMOR DE CRISTO. ESSA “MARCHA PARA JESUS” É UMA MARCHA DE RÉ PARA CRESCIMENTO VERDADEIRO DO CRISTIANISMO. CERTO É QUE NÃO DEVERIA NEM CITAR O NOME JESUS. DEVERIA SER MARCHA DOS “EVANGELICOS”. JESUS NÃO MERECE TAMANHA VERGONHA.

  3. Flavio Mendes disse:

    Acho que estaria bem pior a situação se esses 42,3 mi não fossem convertidos!!

    • Caro Flávio, eu já fico me perguntando é se estes 42,3 mi fossem convertidos, como o Brasil seria impactado, e como estaria diferente do que está! Abçs

  4. EULINO MARTINS PIMENTEL disse:

    Participei deste processo em 2010, e não vou negar que alimentei também essa expectativa quando na coleta de dados para que tivéssemos esses números hoje. E realmente, é incrível como nos sentimos frustrados! Não pelo valor quantitativo, mas pela qualidade do é apresentado a uma nação em trevas! Vigiemos para que não sejamos motivos de tristeza para Aquele que nos alcançou. Tenho medo de que estejamos vivendo um modismo ao invés da verdadeira conversão em Cristo Jesus! Deus na Sua infinita misericórdia, tenha compaixão de nós!

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